domingo, 20 de outubro de 2013

The Conjuring (2013)


O melhor de The Conjuring (A Evocação) é ser uma história bem contada e bem representada. O filme relata um dos supostos casos reais da carreira de Ed e Lorraine Warren, um notório casal de investigadores do paranormal cujos casos já no passado inspiraram outros filmes de terror (Amityville, The Haunting in Connecticut). Aqui mergulhamos no caso da família Perron, uma família com 5 filhas, que no início dos anos 70 se muda para uma casa amaldiçoada por uma bruxa no século XIX.

A história não é, portanto, nada de muito novo: uma casa infestada por fantasmas e demónios que tentam quebrar e possuir uma família que para lá se mudou. Mas é contada com o ritmo lento de alguns filmes de terror antigos, que favorece mais o medo por tensão do que pelo gore. As personagens são bem desenvolvidas (não só no caso da família bastante verosímil  mas sobretudo o casal de "van Helsings") e a atmosfera criada é muito bem construída, quer na recriação de um ambiente vintage (seja a época em que a acção se passa, seja o tipo de filmes que emula), quer na sugestão de grande tensão a partir de objectos e momentos que à partida seriam desprovidos de motivos para a causar (logo desde a história paralela inicial da boneca possuída).


O grande problema do filme para mim foi no entanto uma das suas virtudes: o casal Warren. As duas personagens estão muito bem construídas e muito bem representadas por Vera Farmiga e Patrick Wilson, de tal modo que seriam personagens que gostaria de continuar a seguir em outros casos. São empáticos, trazem uma aura de sabedoria e experiência no assunto, refreada por um grande sentido de humanismo e compaixão que os impede de se tornarem personagens arrogantes ou frios (o seu interesse vai mais para as pessoas que estão a ajudar do que para a excitação de um caso novo). No entanto têm o mesmo efeito no filme para nós espectadores que tem para uma criança a entrada dos pais no seu quarto escuro. A partir do momento em que tomam conta do caso Perron temos a certeza que tudo vai ficar bem, o medo encolhe-se para os cantos mais escuros e perde importância e um filme de terror a partir do momento em que o medo perde importância, perde grande parte da sua função.

Pesando o bom e o menos bom, no entanto, The Conjuring é um filme bem acima da média do género.





Já que estamos nisto, fica o trailer do meu filme de casa assombrada preferido, talvez mesmo o meu filme de terror no topo da lista (o facto de o ter visto pela primeira vez no TCM, noite dentro e sozinha na casa da avó, pode ter ajudado). É sem dúvida uma entrada merecida no livro dos 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer.

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