Mostrar mensagens com a etiqueta FIBDA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FIBDA. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de novembro de 2009

Ainda sobre o Amadora BD

Sentimos necessidade enquanto livreiros de fazer um outro post sobre o Festival de BD da Amadora deste ano. Um post com uma perspectiva mais azeda e desagradável, a nossa perspectiva não só enquanto livreiros mas sobretudo enquanto agentes intervenientes no mundo da BD nacional.

Em Julho passado contactámos com a organização do festival por email para apresentar algumas propostas e tentar perceber até que ponto elas poderiam ser exequíveis. A primeira delas prendia-se com a vinda ao festival de uma mangaka francesa, vinda relevante não só pelo valor desta mas também pela actualidade da comemoração dos 20 anos de Manga na Europa e pelo crescente interesse das novas gerações por este estilo. Somos novos nas andanças no FIBDA (agora é Amadora BD, nós sabemos, mas FIBDA é mais cómodo por ser mais curto) e queríamos saber como se processa a vinda e convite de um autor estrangeiro, sendo que tínhamos já a luz verde e o interesse da autora, que a vir iria preterir um festival francês a favor do FIBDA. Após vários contactos por email e telefone a única resposta que tivemos foi inicialmente a dizer que a proposta ia ser reencaminhada para uma outra pessoa da equipa.

A segunda proposta foi a apresentação de um workshop sobre manga, contando com a autora francesa e Hugo Teixeira. Mais tarde após a prolongada ausência de resposta da organização, a referida autora acabou por responder favoravelmente à proposta que havia recebido do festival francês e nós alterámos o workshop para contar com presença de 6 autores nacionais que o fariam sem qualquer custo inicial para o festival. Foi também enviado o esquema do workshop, com os tópicos a serem nele trabalhados. A esta proposta de um workshop nunca tivemos qualquer resposta.

O terceiro tópico prendia-se com a nossa presença no espaço comercial do FIBDA. Já no ano passado lá havíamos estado num stand conjunto com a editora Pedranocharco e este ano pretendíamos estar num stand em nome próprio. A primeira resposta foi que iriam enviar um formulário para preenchermos. Depois entraram Agosto e as férias, as idas à China e afins e deixámos de ter resposta. Em Setembro por telefonema nosso, foi-nos dito que “ah e tal, isto estava complicado porque este ano a zona comercial era reduzida… Ainda estamos a ver.” Não voltámos a ter resposta até hoje e já o FIBDA acabou. Entretanto obviamente desistimos e fomos pela mesma via do ano passado, quando a Pedranocharco pediu um stand, pediu-o para partilhar connosco. (O que ao fim e ao cabo acabou por ser uma sorte senão teríamos como divisória uma parede grossa a atravancar ainda mais o nosso espaço comercial.) Parece-nos um tanto ou quanto ridículo que tendo antecipadamente a noção do exiguidade do espaço comercial não se alterassem planos para alargá-lo (sendo que havia vários espaços do piso -1 desaproveitados que para isso serviriam) e ainda mais ridículo que se trate tão tardiamente da zona comercial e se seja tão ineficiente a fazê-lo.

Por isto tudo, quando vemos post em blogues e em fóruns a perguntarem porque não fazem mais os agentes da BD para dinamizar o FIBDA ou a gabar os que o conseguiram fazer, nós não podemos deixar de sentir uma certa irritação porque nós TENTÁMOS fazê-lo mas apenas para descobrir que ou o FIBDA não está de todo interessado na dinamização da banda desenhada ou então está interessado mas só em propostas de editoras e livreiros seleccionados e já bem instalados no meio.

Apesar de sermos novos no ramo e não termos o peso de quem já cá está há muitos anos, TENTÁMOS e gostaríamos de ter tido resposta, fosse ela positiva, fosse ela negativa (acompanhada da justificação), fosse ela um “seria interessante mas já vem em cima do tempo para este ano” ou um “seria interessante mas noutros moldes”, qualquer uma, desde que implicasse respeito e abertura. O que afinal encontrámos foi um obstáculo e assim como a nós aconteceu, também aconteceu a outras organizações.

Entretanto quanto à primeira proposta, a autora em questão, Raphaëlle Marx, criadora da série de manga, Debaser, editada pela Ankama Editions virá a Portugal, já não a nosso convite ou do FIBDA mas a convite da Odd School para a apresentação de uma Master Class de Manga, sobre Desenhos e Personagens. Quanto à segunda proposta, foi igualmente remetida para a equipa do Festival de Beja que já respondeu com interesse, prontidão e com sinal positivo. E é no contacto com o Festival de Beja que sentimos ainda mais a diferença, sendo que à partida teríamos tantos motivos para sermos bem ou mal tratados em qualquer dos dois festivais, mas num a face que nos mostram é de distanciamento, de desinteresse e de desigualdade no tratamento; noutro é a face do interesse, disponibilidade e abertura. Diferença que vemos também por exemplo no facto de após termos tido já contactos enquanto loja com ambos festivais, de Beja recebemos usualmente notícias e press-releases, de Amadora nada.

Numa última nota, queríamos agradecer ao Pedro Mota, com quem contactámos antes de enviar o mail à organização e que foi bastante prestável, encaminhando-nos e dando-nos algumas dicas, apesar de não pertencer à equipa oficial da organização. Infelizmente, dizemos nós, pela parte que nos toca.

Nós tentámos e vocês?...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Rescaldo do FIBDA 2008 - parte I






















Acabou no fim de semana passado mais um Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. O 17º na totalidade da existência do mesmo e o meu 11º consecutivo.

Sei que ainda há muitos saudosos da Fábrica da Cultura mas este é o meu local preferido dos quatro onde o festival já decorreu. Pode não ser bem, bem, exactamente na Amadora mas é um local acessível e com infraestruturas e espaço adequados.

Este ano gostei bastante da cenografia do festival em si. Bastante criativa, visualmente atractiva sem ser cansativa. E este ano até se lembraram de colocar algumas indicações logo desde o primeiro fim de semana. Só a zona dos autógrafos é que pecava por falta grave de funcionalidade.

A solução encontrada no ano passado em relação à disposição geral das várias áreas foi mantida. Esta disposição, de exposição central, palco, concurso de bd no piso de cima e zona comercial, autógrafos e outras exposições no de baixo parece-me boa e bastante funcional. E este ano acho que finalmente conseguiram criar uma boa transição entre os dois pisos: o percurso pelas exposições do piso de cima acaba por encaminhar os visitantes naturalmente para as escadas; enquanto no primeiro ano a maior parte das pessoas nem reparava no piso de baixo e no ano passado eram encaminhadas rapidamente demais para o piso debaixo, estando a expo central quase escondida.

As exposições em geral eram interessantes e a cenografia das exposições do primeiro piso estavam excelentes. Algumas no entanto poderiam ter sido melhor exploradas, como o caso da do Tex e da ficção-científica chinesa ou do Liberatore, que não passaram de um ajuntamento de meia dúzia de pranchas sem grande enquandramente histórico ou alguma explicação. As mais interessantes, em termos de contributo para a cultura e conhecimentos dos visitantes sobre a banda desenhada pareceram-me a de Oesterheld (que se atrasou devido a uma retenção na fronteira) e a de Luís Henriques. A de João Abel Manta devia ganhar o prémio da exposição mais deslocada, encontrando-se no fim de tudo, rodeada pela Star Wars por ambos os lados... E por falar nela, a exposição de Star Wars foi a que mais me desiludio: algumas imagens e merchandising, a maioria expostos em buracos altos demais para poderem ser vistos também pelas crianças.

Uma exposição que tive pena de não existir foi a da habitual secção para maiores de 18. A ficção científica é uma área que poderia justificar uma exposição de banda desenhada erótica interessante. aliás a parte da exposição do ano passado dedicada à Druuna faria mais sentido este ano. mas aparentemente a organização aposta que no futuro o caminho passa pela reprodução assexuada...

Por fim, logisticamente falando, continuo sem perceber porque razão o multibanco fica no primeiro piso, se a zona comercial fica no piso -1. E ainda por cima fica escondido à porta das casas de banho.